Pular para o conteúdo principal

RESPEITAR A DEMOCRACIA


A defesa da democracia e das liberdades individuais é a defesa da estabilidade institucional e de todo o acervo legal que regra as relações políticas numa sociedade que se pretende democrática e plural. Por isso, não pode ser simplesmente confundida com a defesa do governo do momento. Nem pelos que o apoiam; nem por aqueles que o querem derrubado. O governo do momento é o governo do ajuste fiscal e da retirada de direitos e que governa com os grandes empresários urbanos, os ruralistas e os banqueiros.
Contudo, ao defendermos a legalidade e a democracia, também é preciso defender o mandato constitucional de quem o conquistou nas urnas, dentro do jogo político de uma democracia burguesa onde participaram partidos de direita e da esquerda institucional que também acalenta o sonho de poder, um dia, dirigir o Estado. Esse é o caso da presidente eleita em 2014 numa disputa acirrada, mas legitimada e validada por todos os atores que hoje ocupam o centro do palco no trágico espetáculo que tem sido o desenrolar da crise política em que nos metemos. A normalidade institucional do país neste momento passa pelo respeito às leis e ao resultado das urnas.
Entretanto o que vemos é a negação destas verdades todas. A direita, com um discurso de ódio e ressentimento pelos resultados eleitorais de 2014, se vale da judicialização da política e do discurso seletivo e criminalizador da mídia, transitando perigosamente na fronteira dos marcos constitucionais para exigir a queda do governo. Uma judicialização que se torna um ataque à nossa frágil democracia que tenta superar uma ditadura de 21 anos, onde a legislação de exceção - Lei de Segurança Nacional - vigente, validava a violência de estado e o arbítrio praticado contra as liberdades democráticas.Tudo dentro da lei. Essa mesma direita, fermenta ainda uma ação cada vez mais conservadora que se vale de pressupostos mítico-mágicos de salvação nacional, que clama pelo Judiciário, pela polícia e até por uma intervenção militar.
Por outro lado, a esquerda institucional, anti-governista, se abastece de artifícios como valer-se dessa mesma judicialização para manifestações oportunistas e bravatas irresponsáveis nas redes sociais, com slogans como “Fora Todos” ou "Convocação de Novas Eleições". Faz isso com fins eleitorais, sabendo muito bem que essa onda conservadora que toma conta do país e do mundo, não levará á esquerda, mas ao golpismo patrocinados pela mídia e pelas entidades patronais como a FIESP, todas favoráveis ao impeachment como única possibilidade para sair da crise.
Tudo tem de ser apurado e tenho isso bem claro. Todos os corruptos e corruptores devem ser processados, julgados e punidos sem seletividade e respeitado o Estado Democrático de Direito. E mais, os corruptores devem contar o que sabem sobre os corruptos que eles compram no atacado e no varejo. Os caminhos da corrupção tem ser investigados e desvendados.Todos. Não apenas àqueles que conduzem ao PT, Dilma e Lula.
A corrupção não é o problema em si. A corrupção endêmica, é a filha do problema em si. E o problema em si é um polvo e seus tentáculos. É o latifúndio, as grandes concentrações de renda, a apropriação do aparelho de estado pela mesma aristocracia financeira que se reproduz há séculos e que o PT pensou ter conquistado quando alguns de seus caciques começaram a frequentar os seus círculos para fazerem o pacto de classes que os levou ao poder e que hoje faz agua.
Estou convencido que, dentro desse sistema, somente com uma reforma política, profunda e com ampla participação da população, conseguiremos combater esse mal. O financiamento das campanhas eleitorais por empresas privadas é sempre uma disputa entre a própria classe dominante financiada pelo capital. É um mecanismo sistêmico corruptor das democracias, substituindo o voto cidadão pelo voto censitário.
No fim, somos sempre nós, os trabalhadores, que perdemos nessa disputa entre as elites.
Parafraseando Brecht nas Perguntas de um Trabalhador que Lê. A cada crise precisamos de um salvador. Quem paga essa conta?

"Tantas histórias, tantas questões".

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

                                BRASIL ACIMA DE TUDO? Paulo Oliveira Agora, nos Estados Unidos, à custa do dinheiro público, vendilhões — sabotadores disfarçados de salvadores — vão, com o peito estufado, pedir, ao seu adorado imperador, sanções ao próprio país! Contudo, jamais estarão diante dele. No máximo, serão autorizados a reverenciar coadjuvantes! Patriotas de fachada, enrolam-se na bandeira como uma capa de traição e vão para lá lamber botas como bajuladores servis. Traidores desprezíveis, canalhas sem honra, pedem intervenção contra a sua pátria com a mesma boca suja que berra por liberdade! Desprezam o país que dizem servir e amar, e se ajoelham diante do império como vira-latas à cata de ossos. Defensores da tortura, se colocados diante da justiça ou de uma corte marcial — como merecem —, vão correr e clamar por garantias constitucionais, di...
  BILIONÁRIOS DE ESTADO: QUEM MANDA NO DINHEIRO PÚBLICO? Paulo Oliveira No Brasil, à lógica se curva à conveniência dos poderosos! Os que ergueram impérios com dinheiro de bancos públicos execram e apedrejam os pobres por receberem auxílio do governo. Latifundiários do agro, celebrados como heróis da produção, obtém bilhões em financiamentos subsidiados e devem outros bilhões aos cofres públicos. É um escândalo! O "rei dos ovos", por exemplo, ícone de empreendedorismo — não contou que cresceu com linhas de crédito generosas do BNDES. Enquanto isso, quem bota a grande parte da comida na mesa do povo é a agricultura familiar. Setores da classe média, a mídia e até alguns pobres de direita chamam de "mamata" o Bolsa Família, o BPC/Loas, mas calam diante dos bilhões em anistia fiscal concedidos aos milionários. Silêncio conveniente! A mídia repete o discurso: o problema são os gastos públicos — mas somente com os pob...

SAUDADES DA PAIDEIA E " PAPO DE BOTECO " por Paulo Oliveira

                              “ CONVERSANDO  NO  BAR ”                                                                      Paulo Oliveira                                      Lembrando Milton nascimento em “ Saudades dos Aviões da Panair’’,  por  várias vezes eu disse aos outros e a mim mesmo que a “cerveja que tomo hoje é apenas em memória dos tem...