A Piada Que Machuca Não É Piada
Paulo oliveira
Penso que o humor que se apoia na humilhação de minorias para provocar riso fácil não é apenas um erro de julgamento — é um sintoma de perversidade social.
Quando se faz piadas com pessoas com deficiência, indígenas, gays, negros ou qualquer grupo historicamente marginalizado. Quando a pedofilia faz rir e se debocha de um incêndio que matou mais de 200 jovens, esse humor não é liberdade de expressão: é escárnio, é crueldade travestida de comédia. É um humor desumanizador, apodrecido, insidioso, covarde e que se alimenta da dor alheia para arrancar gargalhadas de plateias coniventes.
Para mim, esse tipo de piada é violência simbólica, preconceituosa que nutre discursos de ódio e empurra ainda mais para as margens aqueles que já vivem sob constante exclusão.
Há, nisso, uma perversidade cirúrgica pois o humorista sabe exatamente em quem bater, e o faz com frieza, sob o manto da "licença poética", onde não há poesia alguma.
Arte que agride vulneráveis é abuso de poder disfarçado de talento, é retórica perversa a confundir desdém com crítica, sadismo com ironia, e covardia com ousadia.
E a criminalização disso não é censura!
Fazer rir não é pisar sobre quem já está caído. E quem ri disso, que reflita: rir da dor dos outros é rir contra alguém. E isso não é bom humor. É malignidade pura e simples!
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